Mobilização pode prejudicar pesquisas agropecuárias em andamento
Daniela Castro Brasília (DF)
Das 39 unidades da Embrapa espalhadas pelo país apenas quatro não aderiram à greve que começou nesta terça, dia 2. De acordo com o sindicato, 80% dos 8,4 mil trabalhadores cruzaram os braços. Ao todo, são 61 reivindicações, como o pedido de reajuste salarial de 15% e a revisão no cálculo do adicional de insalubridade. Antes, o benefício era pago com base no valor do salário-base, agora passou a ser sobre o salário-mínimo, o que provocou redução nos ganhos de 1,5 mil trabalhadores, que manipulam produtos químicos em laboratório.
A empresa dentro das suas formas de pagamento de benefícios está tentando retroagir à condição do pagamento da insalubridade. Inclusive contrariando uma disposição já estabelecida pelo Supremo Tribunal Federal de que o salário-mínimo não é referência para base de cálculo de quaisquer pagamentos — disse o presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (Sinpaf), Valter Endres.
Outra reivindicação da categoria é a ampliação do quadro de trabalhadores. Atualmente, quase 50% da mão-de-obra da Embrapa é formada por estagiários e bolsistas, o que na opinião do sindicato significa desvirtuamento da força de trabalho. O governo havia prometido a contratação de novos 1,2 mil servidores, mas até agora isso não ocorreu.Mesmo com a greve, os trabalhadores se comprometem a evitar perdas de animais e plantas. Porém, dependendo do tempo de paralisação, as pesquisas agropecuárias podem ser prejudicadas. Observações às vezes importantes, realizações das rotinas de laboratório ficam atrasadas e, por conseqüência, também afetam o momento do resultado da pesquisa a ser alcançado — completou Endres.
O movimento grevista vai participar na próxima quinta, dia 4, de uma rodada de negociação com a direção da Embrapa.
Fonte: CANAL RURAL
quarta-feira, 3 de junho de 2009
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